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22-09-2022
Discurso Presidente AGEPOR Jantar X Congresso AGEPOR

Exmos. Representantes das Autoridades,  

Ilustres Convidados 

 

Caros Colegas 

 

Em primeiro lugar gostaria, em nome, da AGEPOR, e enquanto Presidente da Direção, de vos agradecer a presença neste jantar e também a participação amanhã nos trabalhos deste nosso X Congresso “O Mar é Tudo”. 

 

É um reencontro há muito esperado, depois de tempos extraordinariamente difíceis e onde muitos dos que aqui estão sofreram perdas irreparáveis nas mãos da pandemia que nos assolou. A todos esses uma palavra de conforto e de força nesta nossa reunião há muito desejada. 

 

É, por isso, com enorme satisfação e emoção que vejo esta sala repleta de pessoas amigas, nossas companheiras de viagem nesta viagem que é a vida, seja pessoal ou profissional. 

 

Permitam-me que comece pelo passado ainda recente relembrando dois eventos e duas datas que, hoje, tenho muito presentes e em que muitos dos que aqui estão tiveram também a oportunidade de participar 

 

Em 9 de Outubro de 2016 (há praticamente 6 anos), rio Douro acima, começava o IX Congresso da AGEPOR, que teve como linha de força o “Novo Ciclo dos Portos Portugueses” e que concluía pela necessidade de se fazerem investimentos nos portos. 

 

No seu discurso de abertura o Presidente da AGEPOR e meu colega de Direção Rui ‘Orey afirmava que depois de anos a crescer em cima da capacidade de que dispunham - ou da capacidade prevista e concessionada - os portos enfrentavam então agora um novo ciclo de necessidade de investimento para poderem continuar a crescer. O transporte marítimo atravessava um contexto difícil, incerto, complexo e desafiante. Assistia-se a uma corrida aos navios de grande capacidade e ao mesmo tempo a um abrandamento do crescimento mundial resultando em enormes prejuízos para todo o sector. 

 

Há pouco menos de três anos – em 13 de novembro de 2019 – celebramos, num jantar comemorativo – o centenário da concessão do alvará á Federação Marítima de Lisboa. 

 

Nesse dia foram claramente apontados pelo Presidente da AGEPOR os desafios que se apresentavam ao Sector e que tinham na transformação digital, sustentabilidade e automatização a sua expressão mais significativa. Foram também indicadas direções para o desenvolvimento portuário nacional que passavam pela necessidade de investimento e aumento de capacidade nos portos, pela conclusão do projecto JUL e pela paz social. 

 

Desde então e até hoje, sem que nada o pudesse prever, o mundo mudou! E mudou muitíssimo. Nunca nenhum de nós imaginou que, em apenas três anos, pudéssemos assistir, na maior parte das vezes impotentes, a mudanças tão significativas. Passámos a viver num contexto mais contingencial, ajustando constantemente as velas ao sabor dos ventos que não controlamos, mas agarrando sempre com firmeza o leme sabendo que, e que com maior ou menor dificuldade, mais ou menos delonga, acabaríamos sempre por passar o Cabo das Tormentas e reencontrar o nosso rumo. Afinal temos e transportamos sempre connosco a fibra, a raça e a temperança da gente do mar. 

 

Foi esse o espírito que propiciou que, em tempo de enorme tormenta e convulsão, toda a cadeia logística, principalmente aquela que navega pelo mar, fosse resistindo, ajustando-se, mas não quebrando durante o período mais crítico da pandemia e, agora, da guerra. É verdade que houve atrasos no transporte de mercadorias. É verdade que os congestionamentos aconteceram nos principais portos. É verdade que o desajuste entre a oferta e a procura resultaram em fretes mais altos. Mas é também verdade que, tirando algumas exceções, pontuais, que têm muito mais a ver com a produção que com o transporte, a cadeia logística resistiu, reinventando-se praticamente todos os dias e garantindo que as prateleiras dos supermercados por esse mundo fora não ficassem vazias. Nunca é de mais referir que tal só foi possível com a militância, entrega e profissionalismo de todos, muitos aqui presentes, que, por vezes com risco e sacrifício, deram o seu melhor para que nada faltasse a tantos. Em momento algum ficou um navio, um comandante ou um tripulante por atender e, arrisco dizer, mesmo nas alturas de confinamento total nenhuma Agência de Navegação de Norte a Sul do país, Açores e Madeira fechou durante um dia sequer. 

 

Permitam-me, neste momento, que ressalve, e preste uma homenagem, a tantos e tantos marítimos que, por esse mundo fora, estiveram embarcados, longe dos seus, sem poder vir a terra por períodos muitas vezes superiores a um ano. 

 

Na AGEPOR o tempo também não parou e encarámos o desafio das mudanças com a resiliência, a constante procura de soluções e sobretudo a naturalidade que tanto caracteriza o comportamento dos Agentes de Navegação. Diria que, por habituados a resolver problemas inesperados e incertezas, já tínhamos no ADN a capacidade de estar mais preparados antes mesmo do mundo mudar. Ajustámo-nos assim aos acontecimentos e ao tempo mantendo o rumo e os objetivos definidos, alterando apenas aqui e ali, sempre que necessário a rota para os alcançar. 

 

O estarmos hoje todos aqui, e em número tão expressivo, é bem o exemplo da nossa determinação enquanto Agentes de Navegação, dos quais os Orgãos Sociais da AGEPOR são apenas seus representantes. 

 

Como representantes dos Agentes de Navegação - e com essa responsabilidade dada por quem nos elegeu - fizemos o nosso melhor para cumprir aquilo a que nos propusemos. Tenho para mim a ideia que fizemos muito, mas também que precisamos de fazer mais – continuaremos a trabalhar nesse sentido para sermos merecedores do mandato que nos foi dado. 

 

Para alem das ações de formação, como a organização de webinars com especialistas, de cursos presenciais e à distancia nas mais variadas áreas e com um inovador curso de Introdução ao Shipping online a ser lançado em breve continuamos também a ter na comunicação um pilar essencial na nossa ação - com o lançamento de newsletters; participação e organização de painéis em fóruns dedicados ao nosso sector e na promoção de sessões de esclarecimento e informação internas e externas sobre temas de interesse para todos nós. 

 

Permitam-me que realce algumas outras iniciativas já conseguidas neste mandato: 

Na área do Património concluímos a renovação do nosso Escritório do Porto, tornando o espaço ainda mais digno, e do qual temos um enorme orgulho, proporcionando condições para reuniões entre Associados ou simplesmente um local para estes se sentirem em casa (como no primeiro Get Together já ocorrido no passado mês de junho) 

Continuamos, naturalmente, a participar (e a promover) ativamente ações de interesse para a nossa atividade como sejam os Fóruns de Simplificação, a nossa projeção internacional através da FONASBA, ECASBA e FIMOP e, permitam-me destacar, o nosso papel para tornar possível a retoma no sector dos Cruzeiros com uma participação ativa e mobilizadora através da promoção de reuniões entre o Governo e principais Associações do Sector. 

 

Porque fazemos parte de um País e de Comunidades às quais temos muito a agradecer entendemos também incrementar a nossa ação social com a entrega de duas bolsas de estudo para alunos mais carenciados que pretendem estudar nas nossas áreas de atuação e iniciar, no nosso sector, a sua vida profissional. 

Tudo isto não teria sido possível sem a equipa permanente da AGEPOR liderada pelo António Belmar da Costa. 

 

Ilustres convidados, caros colegas, caros amigos, comecei este discurso invocando dois momentos e dois marcos recentes e importantes na vida da AGEPOR. 

Referi que, entretanto, o mundo mudou, e disse mesmo que mudou muitíssimo, mas se atentarmos bem às mensagens da AGEPOR em 2016 e em 2019 percebemos que os desafios relacionados com a transformação digital, automatização e sobretudo sustentabilidade continuam, e cada vez mais, na ordem do dia. Os principais vetores a prosseguir para o desenvolvimento do sector portuário nacional mantêm-se bem atuais, no entanto, e há que dize-lo, com a boa noticia de terem começado alguns dos investimentos tão necessários nos portos.

 

Precisa, no entanto, o País de continuar a investir em recursos, materiais e humanos, para dotar as Instituições Publicas chave para os sectores logísticos e portuários das condições suficientes para contribuírem para competitividade dos portos, do seu hinterland e, logo, do nosso País Portugal. 

 

Precisamos de planear atempadamente e a longo prazo, medindo todos os custos envolvidos – incluindo preços acrescidos para as populações – evitando indefinições sobre estruturas portuárias e intermodais que sustentam hoje todo o tecido empresarial português com todas as suas repercussões económicas e sociais (leia-se empregos). 

 

A interligação existente nesta nossa comunidade entre entidades privadas e publicas é tão forte e densa que qualquer desafio num deles hipoteca toda a competitividade das nossas empresas importadoras, exportadores, do sector do turismo…enfim – volto a dizer – a competitividade do nosso País Portugal. 

 

A todos estes desafios veio juntar-se um outro que é a incerteza que todos vivemos sobre o que esperar do amanhã. 

 

Por isso mesmo este Congresso tem como linha orientadora o tentar trazer para a ordem do dia questões que, entendemos importantes não só conhecer, como analisar e, sobretudo, refletir. 

 

Temas como: 

• a Logística e o Fim das Fronteiras entre sectores de atividade – será o fim? Será uma redefinição? 

• Dinâmica do Mercado – As Novas Tendências – o que nos pode dizer o presente sobre o futuro, que dados temos hoje que nos possam dar pistas sobre o amanhã. 

• Descarbonização e Combustíveis do Futuro – uma discussão sempre presente 

• Reindustrialização/Nearshoring/Geostratégia – que impacto na nossa atividade podemos esperar resultantes de todas alterações geopolíticas a que assistimos. 

 

São seguramente temas apaixonantes que nos entusiasmam e interessam a todos, mas também é importante concretizar o pensamento estratégico com ações concretas. Para isso iremos também falar na JUL, na Formação e no Centro de Arbitragem Marítima. 

 

Ilustres convidados, colegas, amigos. Tem a AGEPOR, no seu espírito e na sua ação, uma atitude construtiva, séria e sempre disponível. Temos uma visão holística do sector e procuramos sempre uma solução sustentada e capaz para as comunidades onde estamos integrados. Defenderemos, no entanto, e sempre, os interesses dos nossos Associados, de todos e de cada um, dos Armadores que representamos, o transporte marítimo e a competitividade dos portos do Continente e das Regiões Autónomas. Entendemos que é assim que defendemos Portugal. 

 

Marcados pela nossa história estamos confiantes num futuro que nos encontra fortes, unidos e resolutos. É o mar que nos aproxima…e como escreveu Julio Verne já no seculo XIX - o Mar é Tudo 

 

Muito obrigado 

 

João Silva


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